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06/09/09 - 03h:01m \\


Tags: Amarcord, caetanodable, caetanocp2



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Amarcord - review

http://caetanocp2.multiply.com/reviews/item/21




Amarcord (1973)


de Fredirico Fellini





Amarcord '73 de Frederico Fellini é um filme de memórias até mesmo no nome. Amarcord no dialeto de Rimini, cidade natal do diretor, significa "eu me lembro". São memórias de uma infância provavelmente a do próprio Fellini, na Itália fascista da década de 30.



Uma análise desse filme mais fiel e sincera a sua concepção de "memórias da memória" Seria feita algum tempo depois de vê-lo. Mesmo tendo visto esse filme algumas vezes, não é logo em seguida, mas semanas (ou até meses) depois que toma forma a idéia essencial de Amarcord. Ao passar o tempo necessário para perdermos os detalhes técnicos do filme sobra, no caso de Amarcord, a essência. As cenas que mais nos marcaram, a lembrança de algumas tomadas, pedaços da trilha sonora entre outros fragmentos do filme seriam sua representação mais fiel; a que Fellini talvez quisesse que guardássemos. Entende-lo apenas através do significado simbólico que cada personagem tem, seria um reducionismo e a perda de um dos caracteres mais próprios da obra: sua multiplicidade, sua capacidade de transitar por diversos formatos da linguagem cinematográfica sem no entanto se prender a nenhum. Sua estrutura polimórfica (as vezes amorfa) é a marca registrada de Fellini que em seus grandes filmes costuma fugir das classificações cinematográficas mais estritas. Apesar de Amarcod ser um filme nostálgico, não seria de todo adequado classificá-lo como cinema de memória.



Com uma linguagem cinematográfica polimórfica, Amarcord é um filme que marca a todos por sua pureza na concepção. Fellini desnuda-se com tamanha simplicidade que sentimos nossas as lembranças da sua Rimini natal. É um filme de grande apelo emocional (sem ser para isso dramático) com cenas que marcam de diferentes maneiras cada espectador. Ao comentar, com alguém, certo personagem ou cena de Amarcord não é raro termos como resposta um outro olhar, outros detalhes ou afecções percebidas pela outra pessoa. Todos tem algo a falar sobre Amarcord: em contraponto a lembrança de Grandisca ou a do tio louco sobre uma árvore gritando "voglio una donna !", surgem em resposta a chegada do colossal transatlântico, o povo indo ao mar para ve-lo (até mesmo um velho cego), as penas deixadas por um pavão em fuga sobre a neve. Cada um tem o seu próprio Amarcord.



Amarcord perpassa a situação política contemporânea a narrativa sob um olhar distanciado, vemos apenas os ecos da Itália fascista da década de 30, cenas utópicas à realidade local de um desfile exaltando Mussolini, o papel da Igreja, a organização social e familiar em Rimini.



Fellini passa a intensidade de suas memórias através da forma física de seus personagens. O tio magro sobre a árvore, a mulher gorda com seios imensos da tabacaria, o Rex no cais e seu tamanho desmensurado. Cada personagem brilha individualmente no seu próprio palco.

Em Amarcord tudo e todos são personagens. O cenário, a distância da câmera, os ângulos e a duração das tomadas. Tudo é tomado de um significado tão exato, próprio e justo que parece natural. É como se o filme nunca tivesse sido feito; como se houvesse se materializado da mente de Fellini diretamente para a tela.



A mágica fluidez do trabalho de Fellini tem em certa parte um caráter técnico. Além de dublar o diálogo dos personagens após a filmagem (prática recorrente entre outros diretores italianos da época) ele usava pequenas orquestras durante as filmagens. Assim, seus atores não atuam levados apenas pelo seu próprio ritmo mas sim embalados pela música de fundo que resultará em uma sincronia com a trilha sonora presente na edição final. Essa sintonia tão fina entre película e a música excepcional de Nino Rota é outra marca do seu trabalho como diretor. Característica que se destaca em Amarcord que pode ser visto de forma romântica como um místico baile de lembranças.



Amarcord foi o último grande filme feito por Fellini obedecendo apenas a sua vontade e independente da pressão de produtores quanto a orçamento, popularidade, forma ou estética da película. Amarcord está entre os filmes mais importantes do diretor: A Doce Vida(1960); Julieta dos Espíritos (1965); As Noites de Cabiria (1957), sendo talvez seu filme mais emblemático ao lado de Oito e Meio (1963).



Fellini dançava no seu próprio ritmo, criando uma obra única que hoje entendemos como o "estilo felliniano". Criava cenas extremamente belas das situações mais simples, graças ao seu destemor a concepções artísticas pré-definidas. Cabe aqui apenas observar que Fellini tem seu destaque não apenas pela competência artística, que é inquestionável, mas pelo contraste de seus filmes com os de outros autores. Fellini certamente não seria Fellini se lhe acompanhassem outros diretores ou uma determinada escola cinematográfica. Talvez o tenham tentado, mas seu cinema é de uma autoria tão verdadeira, que até hoje não há nada que se aproxime da sua obra tendo a mesma qualidade.



Por fim, Amarcord nos relembra (ou ensina) a admirar a beleza do cotidiano, do nosso passado e a projeção do futuro. Vemos na nostalgia suave de Fellini uma esperança de nós mesmos; de quão simples e prazeroso é observar à distância, dentro de si, o mundo que nos cerca.







Bibliografia Geral e Referências:





EBERT, Roger. Grandes Filmes. Ediouro, 2006.



FARIAS, Agnaldo. in A Ilha Deserta - Filmes. São Paulo. PulbiFolha, 2003.



AVELAR, José Carlos. O Engenheiro do Sonho.

in http://www.escrevercinema.com/FelliniEngenheiro.htm



http://contracampo.com.br



http://overmundo.com.br



http://en.wikipedia.org





















José Caetano Dable Corrêa

Ciências Biológicas - UFRJ


http://caetanocp2.multiply.com/reviews/item/21













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